Sem mais

junho 14, 2010 1 comentário

Continue deitado
Eu não vou embora ainda
E nós não vamos nos preocupar com as coisas para arrumar
Permita-se  e deixe que eu coloque minha cabeça sobre seu peito
Entrelace suas pernas às minhas
Aqueça meus pés
E não pense no resto, não pense
Deixe que do meu coração cuido eu

Ah, aqueça meus pés
Aqueça meu meu corpo
E deixe que do meu coração cuido eu

Sentimentos mais profundos de minha avó para o meu avô quando eu já era viva e eles ainda viviam

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Um momento, por favor

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Canção de ninar

… se encolheu nas suas folhas.

Lá dentro era… era ela lá dentro

Hum, hum, hum, hum, hum

uma canção que só se densenvolvia lá dentro

inaudível, imperceptível às sensibilidades outras

uma ostra, uma flor, uma canção selada.

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Margô, Margô.

maio 24, 2010 3 comentários

Essa história me faz lembrar o cheiro e o abraço apertado da pró Vera (o jeito que nossos corpos miúdos aconchegavam-se naquele corpo grande, gordo e amável), as brincadeiras na areia branca que sempre cheirava a xixi de gato e por isso as outras prós nos impediam de continuar, o cheiro e a textura da massa de modelar, os legos, as bonecas, as casinhas e carrinhos de madeira, o momento de dividir o lanchinho com os outros coleguinhas… o Tesouro das Crianças, o carinho de mainha e o café da manhã antes de ir para a escola… Mainha lendo outras histórias… Mas essa… Essa Margô…

Era uma vez uma margarida em um jardim. Quando ficou de noite a margarida começou a tremer. Aí passou a Borboleta Azul. A borboleta parou de voar.
– Por que você está tremendo?
– Frio!
– Oh! É horrível ficar com frio! E logo em uma noite tão escura!
A Margarida deu uma espiada na noite. E se encolheu nas suas folhas.
A Borboleta teve uma idéia:
– Espere um pouco! E voou para o quarto de Ana Maria.
-Psiu, acorde!
– Ah! É você, Borboleta? Como vai?
– Eu vou bem. Mas a Margarida vai mal.
– O que é que ela tem?
– Frio, coitada!
– Então já sei o remédio. É trazer a Margarida para o meu quarto.
– Vou trazer já.
A Borboleta pediu ao cachorro Moleque:
– Você leva esse vaso para o quarto da Ana Maria?
Moleque era muito inteligente e levou o vaso muito bem.
Ana Maria abriu a porta para eles. E deu um biscoito para Moleque.
A Margarida ficou na mesa de cabeceira. Ana Maria se deitou.
Mas ouviu um barulhinho. Era o vaso balançando. A Margarida estava tremendo!
– Que é isso?
– Frio!
– Ainda? Então já sei! Vou arranjar um casaquinho para você.
Ana Maria tirou o casaquinho da boneca. Porque a boneca não estava com frio nenhum. E vestiu o casaquinho na Margarida.
– Agora você está bem. Durma e sonhe com os anjos.
Mas quem sonhou com os anjos foi Ana Maria. A Margarida continuou a tremer.
Ana Maria acordou com o barulhinho.
– Outra vez? Então já sei. Vou arranjar uma casa para você!
E Ana Maria arranjou uma casa para Margarida. Mas quando ia adormecendo ouviu outro barulhinho.
Era a Margarida tremendo. Então Ana Maria descobriu tudo.
Foi lá e deu um beijo na Margarida. A Margarida parou de tremer.
E dormiram muito bem a noite toda. No dia seguinte Ana Maria disse para a Borboleta Azul:
-Sabe Borboleta? O frio da Margarida não era frio de casaco não!
E a Borboleta respondeu:
– Ah! Entendi!

A Margarida Friorenta, de Fernanda Lopes de Almeida.

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Mil coisas e uma boca

maio 18, 2010 2 comentários

As revistas eu leio de trás para frente

Antes que eu esqueça: você, infelizmente, vai ter que morrer

A partir de já outra música, não mais aquela irá repetir-se incessantemente no meu radinho

Os temas que dão norte aos recortes das revistas que leio de trás para frente serão outros

Viva a Pop Art

E minha natureza tornar-se-á, mais uma vez, difícil. Púrpura opção

Que venham vinhos e tablados

Você já morreu

Quem manda na minha boca sou eu

Um ano e meio em New Orleans

Sim, eu vou para New Orleans!

Antes cumprirei a promessa de fazer campanha para o voto nulo

Porque somos degredados filhos de Eva

Gemendo e chorando neste vale de lágrimas

Mas em New Orleans meu lamento terá outro tom livre e longe desse ranço

Viva a Pop Art, Peter Blake e Lichtenstein

Drácula, Popeye e Frankenstein

Gonzaga, Simone e Vaughan irão comigo para New Orleans

Assim mesmo: contraponto e contra-senso

Porque leio de trás para frente mil coisas e uma boca

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Numa incrível necessidade de me repetir…

maio 8, 2010 4 comentários

Já disse e volto a dizer: Hop-Frog é meu herói.

Poe foi meu marido. 

Uma devoção tão incrível quanto as necessidades.

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Pão nosso de cada dia: elementos

abril 30, 2010 2 comentários

Daqui a pouco, logo após algumas doses simpáticas e generosas de qualquer coisa que contenha álcool, o meu Manifesto.

Na sequência, leitura dramática do cordel futurista que ainda não tem nome e versa sobre impossibilidades necessárias, no estilo ultra-fantástico-e porque não fanático (?). Ele é na verdade um tratado sobre a fé e faz parte do Manifesto.

Pra finalizar – reiniciando, um brinde a Dionísio! Uau! Dionisio’s Party!! Até pra sempre.

Porque há vida em mim.

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