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Archive for maio \24\UTC 2010

Margô, Margô.

maio 24, 2010 3 comentários

Essa história me faz lembrar o cheiro e o abraço apertado da pró Vera (o jeito que nossos corpos miúdos aconchegavam-se naquele corpo grande, gordo e amável), as brincadeiras na areia branca que sempre cheirava a xixi de gato e por isso as outras prós nos impediam de continuar, o cheiro e a textura da massa de modelar, os legos, as bonecas, as casinhas e carrinhos de madeira, o momento de dividir o lanchinho com os outros coleguinhas… o Tesouro das Crianças, o carinho de mainha e o café da manhã antes de ir para a escola… Mainha lendo outras histórias… Mas essa… Essa Margô…

Era uma vez uma margarida em um jardim. Quando ficou de noite a margarida começou a tremer. Aí passou a Borboleta Azul. A borboleta parou de voar.
– Por que você está tremendo?
– Frio!
– Oh! É horrível ficar com frio! E logo em uma noite tão escura!
A Margarida deu uma espiada na noite. E se encolheu nas suas folhas.
A Borboleta teve uma idéia:
– Espere um pouco! E voou para o quarto de Ana Maria.
-Psiu, acorde!
– Ah! É você, Borboleta? Como vai?
– Eu vou bem. Mas a Margarida vai mal.
– O que é que ela tem?
– Frio, coitada!
– Então já sei o remédio. É trazer a Margarida para o meu quarto.
– Vou trazer já.
A Borboleta pediu ao cachorro Moleque:
– Você leva esse vaso para o quarto da Ana Maria?
Moleque era muito inteligente e levou o vaso muito bem.
Ana Maria abriu a porta para eles. E deu um biscoito para Moleque.
A Margarida ficou na mesa de cabeceira. Ana Maria se deitou.
Mas ouviu um barulhinho. Era o vaso balançando. A Margarida estava tremendo!
– Que é isso?
– Frio!
– Ainda? Então já sei! Vou arranjar um casaquinho para você.
Ana Maria tirou o casaquinho da boneca. Porque a boneca não estava com frio nenhum. E vestiu o casaquinho na Margarida.
– Agora você está bem. Durma e sonhe com os anjos.
Mas quem sonhou com os anjos foi Ana Maria. A Margarida continuou a tremer.
Ana Maria acordou com o barulhinho.
– Outra vez? Então já sei. Vou arranjar uma casa para você!
E Ana Maria arranjou uma casa para Margarida. Mas quando ia adormecendo ouviu outro barulhinho.
Era a Margarida tremendo. Então Ana Maria descobriu tudo.
Foi lá e deu um beijo na Margarida. A Margarida parou de tremer.
E dormiram muito bem a noite toda. No dia seguinte Ana Maria disse para a Borboleta Azul:
-Sabe Borboleta? O frio da Margarida não era frio de casaco não!
E a Borboleta respondeu:
– Ah! Entendi!

A Margarida Friorenta, de Fernanda Lopes de Almeida.

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Mil coisas e uma boca

maio 18, 2010 2 comentários

As revistas eu leio de trás para frente

Antes que eu esqueça: você, infelizmente, vai ter que morrer

A partir de já outra música, não mais aquela irá repetir-se incessantemente no meu radinho

Os temas que dão norte aos recortes das revistas que leio de trás para frente serão outros

Viva a Pop Art

E minha natureza tornar-se-á, mais uma vez, difícil. Púrpura opção

Que venham vinhos e tablados

Você já morreu

Quem manda na minha boca sou eu

Um ano e meio em New Orleans

Sim, eu vou para New Orleans!

Antes cumprirei a promessa de fazer campanha para o voto nulo

Porque somos degredados filhos de Eva

Gemendo e chorando neste vale de lágrimas

Mas em New Orleans meu lamento terá outro tom livre e longe desse ranço

Viva a Pop Art, Peter Blake e Lichtenstein

Drácula, Popeye e Frankenstein

Gonzaga, Simone e Vaughan irão comigo para New Orleans

Assim mesmo: contraponto e contra-senso

Porque leio de trás para frente mil coisas e uma boca

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Numa incrível necessidade de me repetir…

maio 8, 2010 4 comentários

Já disse e volto a dizer: Hop-Frog é meu herói.

Poe foi meu marido. 

Uma devoção tão incrível quanto as necessidades.

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