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Como dois e dois são cinco

fevereiro 25, 2010 2 comentários

Sofria o desejo mudo dos librianos. Possuía todos os elementos físicos, mentais, psíquicos, fantasmagóricos e intestinais para viver uma grande história com o pessoal de libra. Os dois que conheceu e mais amou em igual medida, a não ser pela baixa taxa de melancolia com que amou o segundo, faziam-lhe acreditar na redenção do espírito a partir da convicção de que o sentimento que se tem por outrem é capaz de envolver a alma com um calor saudável, como o conforto que se sente em manhãs de tempo frio em que lençóis acolchoados acalantam o corpo de tal forma que é irresistível ficar mais um pouquinho debaixo de seus carinhos. Fodam-se os compromissos e a satisfação que se tem que dar a quem quer que seja! Era assim que os amava: com uma irresponsabilidade que não devia explicação a nada que fosse contrario ao favorecimento desse amor descompensado.
A respeito do segundo, apesar de todos os impedimentos morais que o mundo lhe sapecava na mente sob a forma de flashes torturantes, imaginava que seria mesmo uma história e tanto, daquelas onde a cumplicidade, o carinho, o tesão que era combustível para trepadas deliciosas e todos os outros sentimentos que só se pode viver a dois e dos quais só o amor é capaz de dar conta. Uma história e tanto porque eram dois vagabundos no sentido lato do termo, já que o leitor deve entender que dentro de um mundo com dicas de boa convivência o que o casal queria era não ter nada com elas, as dicas, mas tudo com suas vontades satisfeitas. Mas quem vai dar conta de entender o porquê dos desatinos dos enamorados? O fato é que só sobrou para Ceiça a admiração muda que ela lia nos olhos deste segundo que tanto amou. Do primeiro também tinha a admiração e desejo mudos impedidos por conta dos acontecimentos da vida.
Passou a questionar-se sobre o pragmatismo do amor.

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Para todos os carnavais

fevereiro 14, 2010 Deixe um comentário

A colombina ensaia a dança para, enfim, dançar com o pierrot.

O tom é menor para a música cadenciada e melancólica, mas no meio dessa multidão que desce sambando e fantasiada enquanto eles sobem a ladeira de cara, todos os sons, cheiros e suroes do carnaval profetizam o amor mais puro, brando e sólido que se pode imaginar.

Vai ser bom, vai ser bom. Já é.

La laiá, la laiá.

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