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Archive for março \17\UTC 2008

Marina Senhora de Si

março 17, 2008 5 comentários

Ela era uma bela mulher que demonstrava tanto em seu jeito de andar como no desdém às conversinhas, poses e festas que eram a praga daqueles dias, a intensidade da vida que fez questão de se dar ao longo de seus quarenta e cinco anos.

Na noite clara daquela segunda-feira, depois de perambular o dia inteiro, entediada com as conversas acadêmicas sobre estética, inconformada com a falta de cortesia de todos os seres humanos com os quais teve contato desde que resolveu sair da cama, desolada por não ter encontrado ninguém interessante pra bater papo, Marina atirou-se na areia da praia exatamente no mesmo lugar onde costumava estender o lençol de franjas azul no qual os dois deitados, olhando-se, divagavam sobre a vida, reprimindo o desejo de devorarem um ao outro nas tardes de quinta quando ela entendia que o melhor mesmo era estar com ele.

E sem lençol de franjas azul, sem o sol das tardes de quinta, sem ele, com desejo e o cansaço dos últimos dias que só não lhe arrancou a vida por causa da aparição desse menino, naquela segunda-feira de noite quente e sórdida, com o lado direito do rosto enfiado na areia morna e úmida, cantou com voz densa e estonteante sem que ele jamais pudesse ouvir: Dos cantos recônditos por onde tenho andado, tudo se apresenta desprovido de graça. Nada me instiga nem cutuca convidando-me para passeios profundos banhados por aquelas sensações necessariamente vitais ao regozijo do corpo e da alma. Tudo segue pesado e penoso como castigo de uma culpa que não me pertence. Daí o teu sorriso largo me traslada feito papel solto no vento para um mundo que seria perfeito se pudesse existir. Ter você no vento dos meus sonhos me traz vivacidade e penso que não desejar as mais lindas e etéreas histórias de amor, quando você me olhando sorri, é negar o viço que me conduz.

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Sustenido

março 2, 2008 7 comentários

É amigo, a vida é mesmo pra valer. Tu me dizes que para isso não sabes o que fazer. Eu, o que te digo? Melhor ficarmos aqui quietinhos, calados. Vez por outra tateando na medida da vontade e da força das circunstâncias para tentar entender. Não mude de assunto nem vá embora. Fique e não diga nada. Basta-nos um ao lado do outro, calados, acima, meio-tom acima.

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