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O Jornalista Josias Pires fala sobre a relação entre mídia e cultura popular

agosto 29, 2007 7 comentários

Josias  Pires Neto, 45 anos,  é jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia. Estudioso da cultura popular, em agosto de 1999, passou a dirigir a série Bahia Singular e Plural que já produzia documentários desde 1997. O Bahia Singular e Plural, da TV Educativa da Bahia, que é integrante do IRDEB, foi pioneiro na televisão brasileira por “cobrir de forma abrangente e sistemática a cultura popular”. Por dois anos consecutivos Josias Pires ganhou o Prêmio Banco do Brasil de Jornalismo na categoria Reportagem Especial em Telejornalismo com os documentários Cantos de Trabalho (2001) e Marujada (2002). Nesta entrevista Josias fala à Meiryelle Souza sobre cultura popular e o tratamento que a mídia dá à mesma.
MS: O Bahia Singular e Plural foi um trabalho pioneiro na cobertura televisiva das manifestações folclóricas da Bahia. Como a mídia atual tem feito essa abordagem?

JPN: A Liliane do Na Carona fez um trabalho parecido. A TV universitária em Recife e o projeto Revelando os Brasis também fazem. Hermano Viana e Regina Casé estão estimulando o regionalismo, mas as pessoas desconhecem os folguedos. Parece que só existe o que está na mídia e a mídia é urbana. Algumas manifestações têm tendência em virar produto, outras não, daí a visibilidade dada pela mídia.

MS: Qual era a principal preocupação de vocês na cobertura dos folguedos?

JPN: Era captar da forma mais verdadeira possível. Nosso objetivo era registrar do inicio ao fim a visão daquelas pessoas sobre o que elas estavam fazendo e a receptividade deles contribuía muito para isso porque o fato de estarmos filmando suas festas era uma forma de eternizar aquela manifestação. Mestre  Sinésio, de Gamboa do Morro, pediu para que fossemos gravar e disse que a partir dali poderia morrer em paz porque a sua festa estava registrada para sempre.

MS: O senhor acha que a modernidade, o contato dessas pessoas com outros elementos culturais através da própria mídia, tem trazido algum tipo de interferência para essas manifestações?

JPN: Esse é um processo lento. Não podemos negar que ele acontece, mas pode levar dezenas de anos ou mais para que algo possa ser adicionado ou subtraído.

MS: Qual a relação das pessoas com as mensagens das manifestações? Elas vivem aquela essência em seu cotidiano ou isto está claramente separado?

JPN: Os folguedos têm cunho religioso. Acontecem quase sempre na mesma data. É o cumprimento de uma devoção. As pessoas vivem a sua crença, têm prazer em estar ali.

MS: O senhor acha que a mídia tem cumprido o seu papel na cobertura da cultura brasileira divulgando-a e valorizando-a?

JPN: (um leve sorriso acompanhado de um profundo suspiro) A mídia tem registrado o carnaval por todo o país (risos)

MS: Para o senhor, qual o mais importante documentarista atualmente?

JPN: O Eduardo Coutinho é um documentarista muito importante. Seu documentário Cabra Marcado para Morrer é um divisor de águas na produção de documentários no país. O João Moreira Salles também é uma referência.   

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O vício do mundo moderno

agosto 28, 2007 6 comentários

Relacionamento amoroso e atividade acadêmica são duas coisas que não consigo levar na maciota. Sim, porque às vezes as coisas precisam de um certo nível de relaxamento, no sentido literal da palavra, para que você não atinja um nível de tensão tão grande a ponto de não poder produzir. Mas como relaxar se eles estão esperando sempre de você um aproveitamento máximo?

     Esta imposição broxante, ou melhor, castradora que nos conduz (nos conduz não! Eu vou falar só de mim. Talvez você, querido leitor, não se identifique com nem uma linha deste meu protesto – desabafo. Por isso em respeito ao seu direito de manter-se distante destas desafogantes linhas, escreverei meu texto em primeira pessoa). Então, como eu ia dizendo, as imposições que conduzem à produção insana (digo insana porque não há, geralmente, uma preocupação com os “por quês” , “para quês”. As coisas andam meio sem objetivo, não se sabe de onde vai, para onde vai e o que é pior, por que se vai) me entristecem profundamente.

Tudo neste mundo, inclusive a faculdade e o meu namorado me diz: “Você precisa produzir, precisa fazer e fazer bem! Não é de qualquer jeito. Deve ser de um modo excepcional, inesquecível, orgasmaticamente marcante. Você não pode estar simplesmente por estar. Já que chegou até aqui precisa marcar! Este momento é único, por isso inesquecível. Marque de forma transcendentalmente memorável a sua presença. Vamos! Marque”.

     Ufa! Essas exigências são propulsoras dos meus mais íntimos bloqueios. Tá, tudo bem, cheguei até aqui porque houve uma afinidade entre nossas idéias, mas não exija manter-me num ritmo alucinadamente crescente. Vamos com calma! Hoje bem rápido, amanhã, mais lento. Depois a gente para um pouco pra pensar. Sim! É preciso pensar, rever, enfim. É preciso parar. Não quero marcar. Pelo menos, não da forma que eles me obrigam (quando digo “eles” você sabe de quem eu falo, não é? Claro, a faculdade e meu namorado), fazendo com que me sinta péssima justamente por não cumprir com as suas exigências.

Quero estar, observar, admirar…  e, engraçado… quando faço isso passo a odiar o comportamento dos dois, chegando a ter uma leve-profunda impressão de que me são absolutamente desnecessários, mas digo a mim: “você não pode ser tão drástica. Como pode viver sem eles? Aí começo a sentir uma vontade incontrolável de me enganar (é um engano consciente, por isso saudável), então os desejo freneticamente. E recomeça o ciclo. 

  
(este texto gahou o terceiro lugar no concurso de crônica jornalística da F2J)
Veja também o e o lugar
Meiryelle Souza

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Para que existe arte?

agosto 28, 2007 4 comentários

Teatro de rua, para que te quero? 
    
A pouca quantidade de grupos de teatro dispostos a levar suas peças para as ruas não é provocada apenas pelo desconforto típico das praças ou pela pouca bilheteria, (entenda-se bilheteria como retorno financeiro) porque o público está sempre lá, nas ruas.

E se alguém, num passeio largo ou numa praça fizer uma interjeição em alto e bom som, haverá sempre pessoas dispostas a escutar perguntando-se se este alguém que fala é um vendedor de pomadas milagrosas ou um louco, até que esse alguém lhe traga questões relevantes o bastante para fazer-lhe ouvir por mais alguns instantes.   

Poderíamos então pensar que o que deve estar faltando são as questões. Falar sobre o que? O que levar para as ruas? O mesmo que se tem levado para os palcos? Questões sociais e políticas que vêm sempre temperadas com um pouco de comédia  mais uma pitada de sexo para não perder a graça, ou melhor, o público? E, por favor, não me diga que é disso que o público gosta, pois isto é subestimar a inteligência e o gosto dos espectadores em detrimento da pouca criatividade para a produção de outros mecanismos que lhe prendam a atenção.   

Apesar de, no Brasil, por conta do período de cerceamento à liberdade de expressão, o teatro de rua ter adquirido uma característica de militância, não só assuntos políticos e sociais deveriam ser abordados nas ruas, mas o lúdico, o mundo dos sonhos poderia também ser retratado para os que na rua vão e vem.

Há esta altura é preciso repensar o valor da arte, ou, para ser mais específico repensar a arte que estamos fazendo. Para quem e porque fazemos?    Pensar estas questões talvez resolvesse o problema das linguagens utilizadas que às vezes não comunicam exatamente o que propuseram, fazendo com que o espectador termine o espetáculo sem entender a mensagem. Pensar também que nestes tempos onde quase 100% dos lares brasileiros possuem aparelho de TV que lhe fornece programas de péssimo ou nenhum teor artístico, levar arte para as ruas é democratizá-la, é fomentar a melhoria da educação cultural dos nossos concidadãos ou, ao menos, instigá-la.

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testando

a gente devia testar sempre antes de usar definitivamente

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Olá mundo!

agosto 20, 2007 2 comentários

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