Frases Curtas

•Agosto 29, 2008 • 2 Comentários

Se hoje acabar e não acabar com isso, eu não sei não, hein?

Hop-Frog é meu herói.

 

Integrando a série: Frases Curtas – Paciência e/ou Sanidade por um Fio (de linha de pipa, com cerol. Por isso, cuidado, meu caro, cuidado!)

Ah! Isso não é coisa de mulher com TPM

Seco e Vivo

•Junho 2, 2008 • 3 Comentários

Ingressei na Escola de Artes Não Tão Belas Assim. E vou parir.

Sentenças

•Abril 8, 2008 • 4 Comentários

“Quando eu nasci um anjo só baixou, falou que eu seria um executivo. E desde então eu vivo com meu banjo executando os rocks do meu livro, pisando em falso com meus panos quentes, enquanto você ri no seu conforto, enquanto você me fala entre dentes: poeta bom, meu bem, poeta morto”.

Só mais uma referência ao Zeca, mas essa eu faço questão de dizer cadenciadamente ao pé do teu ouvido, com meu corpo caído sobre o teu, sentindo as tuas costas cansadas e suadas com todo amor e ódio plantado dentro de mim: “Tudo que é peito sangra”.

A vida é mesmo assim, vá entender.

Marina Senhora de Si

•Março 17, 2008 • 5 Comentários

Ela era uma bela mulher que demonstrava tanto em seu jeito de andar como no desdém às conversinhas, poses e festas que eram a praga daqueles dias, a intensidade da vida que fez questão de se dar ao longo de seus quarenta e cinco anos.

Na noite clara daquela segunda-feira, depois de perambular o dia inteiro, entediada com as conversas acadêmicas sobre estética, inconformada com a falta de cortesia de todos os seres humanos com os quais teve contato desde que resolveu sair da cama, desolada por não ter encontrado ninguém interessante pra bater papo, Marina atirou-se na areia da praia exatamente no mesmo lugar onde costumava estender o lençol de franjas azul no qual os dois deitados, olhando-se, divagavam sobre a vida, reprimindo o desejo de devorarem um ao outro nas tardes de quinta quando ela entendia que o melhor mesmo era estar com ele.

E sem lençol de franjas azul, sem o sol das tardes de quinta, sem ele, com desejo e o cansaço dos últimos dias que só não lhe arrancou a vida por causa da aparição desse menino, naquela segunda-feira de noite quente e sórdida, com o lado direito do rosto enfiado na areia morna e úmida, cantou com voz densa e estonteante sem que ele jamais pudesse ouvir: Dos cantos recônditos por onde tenho andado, tudo se apresenta desprovido de graça. Nada me instiga nem cutuca convidando-me para passeios profundos banhados por aquelas sensações necessariamente vitais ao regozijo do corpo e da alma. Tudo segue pesado e penoso como castigo de uma culpa que não me pertence. Daí o teu sorriso largo me traslada feito papel solto no vento para um mundo que seria perfeito se pudesse existir. Ter você no vento dos meus sonhos me traz vivacidade e penso que não desejar as mais lindas e etéreas histórias de amor, quando você me olhando sorri, é negar o viço que me conduz.

Sustenido

•Março 2, 2008 • 7 Comentários

É amigo, a vida é mesmo pra valer. Tu me dizes que para isso não sabes o que fazer. Eu, o que te digo? Melhor ficarmos aqui quietinhos, calados. Vez por outra tateando na medida da vontade e da força das circunstâncias para tentar entender. Não mude de assunto nem vá embora. Fique e não diga nada. Basta-nos um ao lado do outro, calados, acima, meio-tom acima.

Que bloco é esse?

•Janeiro 28, 2008 • 11 Comentários

Ele é, realmente, a coisa mais linda de se ver.
Baianinha e afro-descendente desde o ventre, nunca, por pura displicência, havia reparado na beleza do Ilê, não pelo menos da forma como o fiz naquela manhã de domingo no Parque da Cidade de Salvador. Ver aquelas meninas dançando com aquela percussão latejando dentro da gente é, sem dúvida, bonito, emocionante. Mas naquela manhã, olhei pro Ilê Aiyê com os olhos da minha descrença e fui arrebatada por uma idéia transcendental.

O “Charme da Liberdade” apresentou-me o argumento de que o lugar das coisas não ditas, que assim são por força e desejo de um discurso predominante (um francês que foi nosso contemporâneo fala sobre isso), uma vez ditas, meu amigo, produz um latejo tão poderoso quanto os tambores do Ilê, capaz de transformar para sempre as estruturas desse lugar.

Imagine então, caro leitor, o que este dito pode causar quando além de tambores e danças usa boca, olhos, narinas e orelhas (lembre-se da música do Caetano, mas volte pra cá. Depois você viaja com ele noutras ondas. Até porque, com ele o troço entra e aqui, é através destes sentidos que o argumento sai para daí entrar em você, entende?). Mas como eu ia dizendo até o seu pensamento vaguear exigindo de mim uma advertência – olhos, narinas e orelhas de um integrante do famoso bloco me advertiram tão incisivamente que, passada a minha indignação, me rendi à verdade de que a gente do Ilê é diferente não só porque tem um Santo, usa turbante e/ou trança o cabelo, além de outros detalhes importantes. É diferente, para com isso convencer o mundo de verdades silenciadas.

Andam falando constantemente por aí, mas ainda é pouco, e o principal difusor desses conceitos é o Movimento Negro, que no Brasil vive-se a falsa idéia de que somos todos iguais, principalmente no que tange aos nossos direitos de cidadãos. Brasileiros de cor não são tratados igualmente pelas instâncias do Estado nem pela sociedade civil e infelizmente, este problema não é exclusivo para afro-descendentes. Nesta luta estão todas as minorias. No entanto, reconhecer que o Brasil é um país racista e que há muito que se fazer para reparar as perdas e danos dos afro-descendentes não modifica o mecanismo dos discursos que torna displicentes ouvidos de brasileiros e não brasileiros, fazendo-os permanecer no estágio que reconhece a necessidade de reparação, consumindo cabelos, música, roupas, etc, de influência africana sem se dar conta de que o buraco é mais profundo.  
O que falta, tanto para os de pele escura quanto para os de pele clara – e lembre-se sempre: o que menos interessa é a cor da pele – é consciência. Isso. Consciência Negra. Não aquela que usa cabelo Black Power ou trancinhas e esnoba quem não os têm. Isso é ignorância. Mas consciência negra baseada em ciência histórica. Consciência que ultrapassa os limites das questões étnicas e depara-se com a insaciável vontade de entender o mundo em que vivemos. Reconhecendo que, entre tantas outras coisas, fomos ludibriados a aderir um estilo de vida que subjuga todos os outros, não só o africano, tratando-os como coisa bizarra e desagradável que se deve abolir, ou, exótica e notável que se deve consumir. É assim com os índios, homossexuais e toda espécie de minoria que se consiga identificar. É preciso consciência capaz de entender que somos a reprodução viva e tenaz, mas nem por isso inquebrantável, de um discurso que nos quer apáticos para se manter constante e dominante. 

“Quem dá luz a cego é bengala branca e Santa Luzia, ai, ai meu Deus. Que bloco é esse?” Paulinho Camafeu

Desterro, a ti procuro.

•Janeiro 11, 2008 • 3 Comentários

Me agradaria muitíssimo, em favor de um desterro, uma mesa de bar em presença de meus amigos.

Um desterro embebido num líquido vermelho em presença de meus amigos a espera do nascer do sol.

Bora?

•Janeiro 11, 2008 • 3 Comentários

The Doors vai fazer dez shows no México

Efe

A mítica banda californiana The Doors vai oferecer dez shows no próximo mês no México. Do dia 14 de fevereiro a 1º de março, o grupo se apresentará em diversos Estados mexicanos, entre eles, Puebla, Veracruz e Durango. A temporada terá início em Torreón, ao norte do país, e vai chegar ao seu fim em Hermosillo, capital de Sonora. O grupo, que agora se chama Riders on the Storm (título de uma de suas músicas mais famosas), é composto pelos membros originais do The Doors, Ray Manzarek (teclado) e Robby Krieger (guitarra), além do vocalista Brett Scallions, quem substituiu Jim Morrison, morto em 1971.

Fonte: O Estado de São Paulo

À todos os colonizados europeus, leitura obrigatória!

•Dezembro 18, 2007 • 2 Comentários

Veja bem, eu ainda não li, mas já gostei. Tô esperando um amigo me dar de presente de natal how, how, how. O que li foram algumas críticas. É porque estas custam menos que livros… estão soltas por aí na World Wide Web graças a Deus e a Nossa Senhora da Porta que além de computadores interligados, nestes nossos tempos mornos onde tudo é mais ou menos igual, nos abençoaram com Xico Sá, o autor. Sensacional!

Eis um trecho do livro: “A crucificação encarnada. Duas punhetas obrigatórias, até mesmo para os casados: uma na santa hora de pôr a matéria para descansar; outra ao alvorecer. São duas sagradas orações ao corpo, com as quais derramamos um tanto da violência das nossas glândulas mais primitivas.”

Ao invés de ficar pensando o que pode fazer com que alguem escreva tão tenras linhas, você deveria pensar em porque sua mente ao mesmo tempo em que lhe impele às sugestões, lhe reprime. Devo escrever mais sobre isso em outro momento, o sono agora não me permite. Mas não posso finalizar sem dizer: Leia o Catecismo de Devoções – Intimidades e Pornografias. Eu o farei.

Leia as críticas também, depois do livro. Ou antes e/ou depois. Ou não leia as críticas, fique apenas com o livro. Delicie-se.

Uma pequena retificação à minha pessoa: este livro é indicado à todos os humanos habitantes desta Terra.

Estranha, eu?

•Dezembro 4, 2007 • 4 Comentários

Estranho é o mundo e a sua necessidade de existir. Estranho é você fazendo esse cigarro de bengala e desse chopp acessório para sublimação da alma. Estranho é perceber que sua dissertação de mestrado, apoiada no pensamento de teóricos tão revolucionários, com o objetivo compreender um suposto problema, só servirá para enaltecer os muros da academia e o que é pior: lhe dará a sensação de ter contribuído para a busca de um mundo melhor.
 Estranho é ver você aí sentado, executando esse seu trabalho medíocre que no final do mês lhe concederá a redenção que você mesmo entregará ao outro ser faminto, operador de caixa daquele barzinho legal, daquele teatro alternativo, daquela livraria bacana e da lojinha com as novidades do mundo hi-tech, sem as quais você já não consegue viver.
 He, he, he. Pára com isso que a gente nem tem motivos para rir. Você diz que sou pessimista, mas meu caro, não se engane! Eu apenas não acho graça no otimismo. Dar-me-ia um extremo prazer ver-te considerar que a maioria dos nossos atos é fruto de uma vaidade improcedente, inerente a natureza humana. Os demasiado humanos sabem disso.
 Mas você, he, he, he, em meio a tanta coisa para fazer, atolado nos projetos para executar e quase insano com as metas à cumprir diz não ter tempo para pensar nessas coisas. Verdade, tempo é caro. É jóia para a qual te falta pescoço. Quanto a mim, confesso que às vezes me faço estranha para não sofrer rejeições quando preciso estar entre os estranhos por qualquer motivo. Faço questão de ter outros andando comigo, porque seguindo em linha reta, depois das curvas sinuosas a gente não tem resposta, não vê razão.
 Uns contemplam e todos submergem como se outro caminho não fosse possível. Em meu casulo sou cética mesmo. Teorias desastrosas, justificadas pela busca de um mundo melhor são inventadas para nos salvar. Há de se ter cuidado! Elas são o produto da hipocrisia daqueles que pensam, enquanto muitos outros não o fazem porque não têm tempo. O mundo, como diria um bom nordestino, “tá lascado”. Mas você prefere fingir que está tudo beleza, enquanto seu lobo não vem. Só que para o seu governo, seu lobo nunca esteve distante. Ele te devora a todo instante, seu bobo.

Terceiríssimo lugar no II Concurso de Crônicas da F2J. É, porque o superlativo absoluto não mérito apenas do número um.