Às vezes, ou melhor, ultimamente, muito frequentemente eu fico me perguntando: quando não são os amigos, quem conduz os bêbados até suas casas?
As quatro estações
•Maio 18, 2009 • 1 ComentárioLá pro final do outono tava toda atordoada. Ia pras festinhas porque não tinha coisa menos coisa pra fazer e lá, porra, nada de novo. Quando topava com alguém interessante ,opa!… Perguntava para si, na ausência dos botões, se seria este o ser humano que lhe esquentaria no inverno, mas fivaca sem resposta. Será que era a ausência dos botões? Talvez. De vez em quando uma fresta de pensamento agitado e aguçado, certeiro eu diria, tomava-lhe. E assim, mesmo na ausência dos botões, acalmava-se.
Mas como todo dia é novo e o noticiário insistentemente fazia-lhe lembrar que a repetição, a saturação, a pregnância eram os mordomos da casa, deprimia-se densamente. Não tinha livro, música, amigo-querido-palhaço-disposto a arrancar-lhe da fossa, nem lugar bonito que lhe diminuísse a dor de existir. Nem os remedinhos, nem as bebidinhas, nem porra nehuma lhe faziam reagir. “Reagir pra quê?”, pensava com seus botões e estes nada, nada lhe diziam. Quis com muita raiva arrancar os botões. Claro, nunca estavam e quando estavam, calavam-se. Porra de botões! Pra que botões?
Na primavera até que achava bonitinhas as borboletas. Os suores do verão irritavam-lhe e quando chegava o outono queria saber quem lhe esquentaria no inverno. Lembrou de Otto… Alguém pra esquentar os pães e os dedos. Seus botões não lhe acalmavam. Quem esquentaria os pães e os dedos?
A luta entre a total desesperança e um fio de bom ânimo
•Abril 23, 2009 • 1 ComentárioInstruções para leitura
1. Tome um gole de café preto, quente e sem açúcar
2. Tá difícil pra mim. Pra você também, né? Prossigamos sem choro nem vela, mas não largue mão dum gole de cachaça…
3. Esqueça o café e aumente a dose de cachaça o quanto for necessário
4. Isso aqui é literatura de cordel
Agora vamo lá….
Iam caminhado que nem dois burros cansados os dois amigos debaixo do sol lascante da Princesinha do Sertão. Aí, quando chegaram em frente a budega de seu Zé, o bêbado mais bêbado dos arredores gritou “pega ladrão”. Não ficou vivalma pra terminar a porcaria do dia naquela cidade de sol e sol apenas.
Ah, quer saber? Vai te catar! Tem jeito não.
Guerra Inglória
•Março 4, 2009 • 4 ComentáriosTomou um gole da infusão de erva que acabara de comprar. O líquido seguiu queimando sua garganta e espalhou-se pelo corpo queimando, sempre. Mas não queimava mais do que a ânsia provocada pelos pensamentos eróticos que cultivou durante todo o dia depois que ele deu-lhe as instruções a respeito da vida vã. É, é vã mesmo – disse ele. Mas veja bem – prosseguiu olhando fixamente para seus lábios. Apesar de não deseja-la, seu pensamento voava enquanto sua retina ficava presa àqueles dois pedaços de carne sobrepostos e entreabertos – A vida é vã, mas a sua imaginação não, Nina. Ela não é fruto da realidade e nem precisa dela para que aconteça. O que não existe você pode dar vida. Naquele momento Nina o odiou. O odiou e quis matá-lo. E o decifrou. Viu que aquela conversinha besta que ele acabara de contar-lhe escondia a efusão de sua alma. Ali estava o seu segredo, e ela, num instante de iluminação o decodificou. Depois disso viu que aquele senhor que tantas vezes incitou-lhe admiração era na verdade um pedaço de carne tão inútil quanto sua inteligência. Ele era mesmo um homem de pensamentos distintos, mas agora Nina avaliava para que servia tanta distinção elocubratória. E desejou-o ardentemente. Desejou não apenas ter seus lábios sobrepostos ao dele. Desejou todo o seu corpo sobreposto ao dele. Todos os seus orifícios encaixados nele, como se no encaixar de seus corpos, no roçar de suas dermes, uma absorvendo o suor da outra, com suas almas derretendo pelo calor que o prazer lhes provoca, a banalidade da vida que Nina tentava, insistentemente, superar fosse sublimada. E lembrou da última conversa com aquele rapaz que sempre quis e nunca teve. Viver é comer – disse o rapaz entre risos. Como os gurus espirituais, falo eu agora por parábolas – continuou, agora às gargalhadas. Nina riu consentindo e dali em diante queria comê-lo todos os dias. Sempre teve ao seu redor pessoas que falavam de tudo e não diziam nada. Ela só precisava de pessoas que dissessem sim, sempre, para matar a fome, mas todos os seus pedidos eram negados. Queria o rapaz, queria o senhor, queria comê-los. Só tinha não como resposta. E derretia-se num líquido quente diariamente.
Caríssimo leitor
•Fevereiro 12, 2009 • 1 ComentárioTá, tudo bem. Sente-se, fique à vontade que eu te permito colocar as vírgulas na minha rotina desmedida (e há aqui um parêntese imenso que eu sei que você compreendeu e teorizou completamente). Se às vezes corro muito ou até mesmo quando sigo lenta, como acontece na maioria das vezes, reconheço que preciso acertar essa pontuação para que seja inteligível. Se você quiser eu deixo. Pontue meu texto e caminhe comigo.
Sem Título
•Dezembro 9, 2008 • Deixe um comentárioNem asfalto, nem chão batido. Até mesmo pelo caminho de terra fofa não há nenhum abrigo.
Crônicas em Cena
•Outubro 10, 2008 • Deixe um comentárioCrônicas em Cena é a peça que você, caro(a) amigo(a), não pode perder. O espetáculo está em cartaz a partir de hoje, 10/10, e segue até domingo, 12/10, no teatro Dias Gomes. A peça é uma leitura teatral de crônicas produzidas por estudantes da Faculdade 2 de Julho que abordam assuntos como o questionamento sobre a loucura diante de um desencanto amoroso, como pode ser visto em Baby, Baby de Mariana Miranda e a crítica a apatia social e política que é vestida com o manto do consumo insano em Estranha, eu?, de autoria desta que vos escreve e assina como Meiryelle Souza.
No total, sete textos dão voz às performances de doze atores que ensaiaram seis meses para esta estréia. O grupo é dirigido por Ray Alves, que há trinta anos prepara elencos e dirige espetáculos teatrais, além de atuar em filmes como o emocionante Esses Moços, de José Araripe Jr e Jardim das Folhas Sagradas, de Póla Ribeiro, que tem estréia prevista ainda para este ano.
Por mim, por Rai, por Mariana e todos os autores dos textos, pelo elenco e pelo prazer do teatro – pela necessidade do diálogo, etc, coisa e tal, leve cinco conto e sente-se na poltrona confortávelzinha para ver Crônicas em Cena.
Serviço (o bom e velho)
O que: Crônicas em Cena
Onde: Teatro Dias Gomes (Nazaré, Salvador, Bahia, iá-iá) Quando: 10, 11 e 12 de outubro Quanto: cinco conto
Horário: 20h
Frases curtas, desejos profundos
•Setembro 16, 2008 • 1 ComentárioEu quero é botar meu bloco na rua, lá lá…
tá ligado? sabe como é? não, né?
É, se você soubesse teria a mesma vontade.
sugestão de leitura: Xico Sá, jornalista, skatista, quase artista… autor do Catecismo de devoções, intimidades e pornografias… Xico estará no programa Provocações, que vai ao ar às 22h30, pela TVE Bahia nesta quinta (18/9). Deixa de ver não!
Frases Curtas
•Agosto 29, 2008 • 2 ComentáriosSe hoje acabar e não acabar com isso, eu não sei não, hein?
Hop-Frog é meu herói.
Integrando a série: Frases Curtas – Paciência e/ou Sanidade por um Fio (de linha de pipa, com cerol. Por isso, cuidado, meu caro, cuidado!)
Ah! Isso não é coisa de mulher com TPM
Seco e Vivo
•Junho 2, 2008 • 3 ComentáriosIngressei na Escola de Artes Não Tão Belas Assim. E vou parir.
